Alcoolémia XXVI Anos - Entrevista a Bruno Paiva
14 de Agosto é a data de aniversário dos Alcoolémia, que este ano celbram 26 anos de carreira. O ROCK IN THE ATTICK quis assinalar essa data, e desde ontem, que está a publicar as entrevistas que fez aos seus cinco elementos. Algumas perguntas comuns a todos, outras específicas para cada um, vamos publicar uma entrevista por dia. Hoje é o dia do Bruno Paiva, o homem que toca baixo numa "Ervilha".

RA - Bom dia Bruno. Para começar, fala-nos um pouco de ti.
BP - Nasci em Lisboa a 7 de Janeiro de 1981 no Bairro da Mouraria. Infância e juventude na Margem Sul, Almada e Seixal. Estudei no Fogueteiro (onde os Alcoolémia se formaram). A música sempre esteve presente, os meus bisavó e avô maternos eram pianistas... Mas infelizmente nunca tive a disciplina para me sentar ao piano e aprender. Hoje tenho imensa pena de não o ter feito. Acabei por aprender outros instrumentos por mim e em grupo de amigos. Em 1997 formei com amigos da escola a primeira banda. A par da música esteve sempre a pintura, também como auto-didacta, também aos 14/15 anos. A pintura ficou em standby em 2007 mais ou menos..
RA - Qual foi o momento da tua vida que marca o teu futuro como músico? Aquele momento em que disseste "é isto que eu quero fazer"?
BP - Quando fundei a minha primeira banda de garagem, "Tonal", em 1997.
RA - Quais as tuas influências musicais?
BP - Guns 'n' Roses foram a primeira grande influência no Rock, talvez a banda que me agarrou mais na altura que comecei a fazer música... outros nomes mais antigos como Led Zeppelin, AC/DC, Jimi Hendrix, The Doors ou menos antigos como Red Hot Chili Peppers, Faith no More, U2, Pearl Jam, Nirvana, The Offspring, Green Day, Censurados, Peste & Sida, Xutos & Pontapés, Da Weasel. Mas oiço de tudo um pouco, partindo do principio da boa qualidade musical e do bom gosto, tudo são influências... é como respirar para viver...
RA - Como vês a
actualidade musical? O Rock é, hoje em dia, um nicho de saudosistas?

BP - Actualmente os padrões de qualidade sonora estão altíssimos, ser original está cada vez mais difícil. Há que reinventar, evoluir e acreditar. Há muito boa música a ser feita, já o equilíbrio de oportunidades não é tanto... O Rock é tão forte que toda a gente o quer ser... Os estilos fundem-se, as modas vão e vêm e por vezes confundem-se as origens. Mas todas as bandas que continuaram, passando tempos maus, complicados, e as que voltam passados anos vão juntando fãs antigos e novos, revitalizam o estilo musical.
RA - As plataformas digitais, o facebook, o YouTube, são uma forma de chegar a mais público e a novo público. Como é que isso impacta, se é que impacta, nos Alcoolémia? Trouxe alguma alteração ao público que vai aos vossos concertos?
BP - As plataformas digitais foram muito importantes e continuam a ser. Hoje em dia tudo se resume a likes, views e seguidores. É a forma de todas as bandas divulgarem o seu trabalho e chegarem ao seu público, e a novo público também. Os Alcoolémia não são excepção e usam as plataformas como ferramentas de trabalho.
RA - Para além dos Alcoolémia tens outros projectos musicais, ou relacionados com a música: ZÖP, Bandas de Tributo, Rcycl Bass, Ervilha. Como conjugas tudo e ainda a vida familiar? Queres falar um pouco do projecto Ervilha e do RcyclBass (não podemos falar de todos, hoje)?

BP - Sim tenho outros projectos não consigo estar quieto! Tudo se conjuga quando se tem amor ao que se faz e se trabalha com pessoas sensatas e flexíveis. A família está sempre presente e sempre me apoiou. Aproveitamos ao máximo o nosso tempo. A Ervilha e a RcyclBass são dois projectos que iniciei do zero.. A Ervilha é uma Pão de Forma que restaurei para me levar em aventuras pela estrada fora e que a certa altura começou a ser solicitada para anúncios, videoclipes e eventos... A RcyclBass é o meu tributo ao meu instrumento, o baixo. Comecei por modificar o meu primeiro baixo e a partir daí... Foi sempre a aprender e a evoluir, até ser a opção para muitos músicos no que conta a restaurar, manter ou modificar os seus instrumentos
RA - Foste professor de EVT. Como se dá a passagem do ensino para a música? Gostavas do ensino?
BP - Sim durante dez anos estive no ensino. Cansei-me de um sistema de ensino ridículo e economicista e saltei fora. Gostava de estar em contacto com as novas gerações e de poder abrir horizontes no mundo das artes. A música já cá estava desde os 15 anos... O ensino é que foi passageiro.
RA - Como surgiu a tua entrada para os Alcoolémia? Já os conhecias, eras fã?

BP - Conheço os Alcoolémia quase desde o seu início. Andei na escola com colegas muito próximos da banda, então a amizade foi sendo construída. Desde material emprestado para concertos da minha primeira banda, a muitos concertos de Alcoolémia, ao estarmos em convívio no café. Sempre admirei a banda e gostava do seu som, sim era fã. O Manelito sempre acompanhou o meu percurso como músico. O Carlos Cardoso (antigo baixista de Alcoolémia) acompanhou-me de perto como baixista, mais em específico posso dizer que foi um dos responsáveis por ser baixista (falo disso mais à frente no texto). Foi ele que me convidou para o substituir em Re-Censurados (banda de tributo aos Censurados), onde foi a minha estreia a tocar punk/rock, porque a ouvir já era há muito tempo. Para os Alcoolémia a entrada foi muito natural: eu e o Manelito já éramos companheiros de banda em Re-Censurados e amigos há muito tempo, bem como do Pedro Madeira, e quando houve oportunidade para entrar fui convidado e cá estou para ficar.
RA - Com que idade começaste a tocar? O baixo sempre foi o teu instrumento de eleição?
BP - Aos 14 anos a guitarra era a minha principal companhia, embora ainda não soubesse tocar. Gostava apenas de produzir sons, fazia-me companhia. Depois aprendi a tocar, fui guitarra ritmo nos Tonal e nos Gang Band, nesta última trocávamos de instrumentos em algumas músicas e comecei a ter mais contacto com o baixo. Numa noite de Jam no Kartódromo, o Carlos Cardoso viu-me a tocar baixo e quando saí de palco ele disse-me: "Tu... Devias ser baixista...". Em 2007 optei pelo baixo e desde então é o meu instrumento. Começou em Gang Band e depois em Zop. Não me arrependo de ter começado na guitarra, mas tenho pena de não ter ido logo para o baixo no início.

Muito obrigada Bruno, por despenderes do teu tempo, para nos dares a conhecer um pouco mais de ti.
Rosa Soares (Rocky Rose)

